Aspirador de pó espacial passa em seu primeiro teste

Um satélite desenvolvido na Inglaterra entrou para a história ao realizar a primeira coleta seletiva no espaço. Ele foi posto à prova no último domingo, 16 de setembro – e performou muito bem, obrigado.

Sua principal arma é uma rede, que passa recolhendo toda a sucata que encontra na órbita da Terra. É como se fosse uma pesca em alto mar. Só que o cardume, no caso, é tudo que o ser humano deixou para trás em décadas de exploração espacial. São pedaços de foguetes, satélites que pararam de funcionar – e até outros tipos de lixo que nada tem a ver conosco, como fragmentos de meteoritos.

O satélite foi acoplado à Estação Internacional Espacial – onde ele já está hospedado há algum tempo, desde que chegou em abril de 2018, a bordo da nave SpaceX Dragon.

Toda a ação do pescador de lixo acontece a mais de 300 km de distância da superfície da Terra. Durante o treinamento, a ferramenta utilizou uma rede ejetável, que era projetada do interior do satélite a uma distância de até oito metros.

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Após a demonstração, a rede cheia de detritos começou sua jornada de volta para a Terra, por conta própria. Dentro de alguns meses, ela deve entrar na atmosfera – o que não deve causar grandes problemas, já que só esse processo de reentrada é suficiente para desintegrar parte do lixo.

Quando as patrulhas de limpeza estiverem valendo de verdade, o satélite vai usar um outro método. A rede permanecerá presa ao corpo da sonda, e  para que ela consiga arrastar toda a sujeira espacial para fora da órbita terrestre. É como se ele varresse a sujeita para debaixo do tapete. Ou melhor: para fora do tapete.

Para os próximos testes, pretende-se instalar também um sistema de navegação complexo, que utiliza câmeras e tecnologia óptica de detecção remota. A ideia é que, assim, o faxineiro espacial consiga mapear melhor potenciais restos.

Você pode assistir ao funcionamento da ideia de maneira mais detalhada no vídeo abaixo.

“Enquanto pode soar uma ideia simples, a complexidade de usar uma rede no espaço para capturar pedaços de detritos levou anos de planejamento, engenharia e coordenação entre o Centro Espacial Surrey, a Airbus e nossos parceiros – mas há ainda mais trabalho a ser feito. Estes têm sido momentos muito empolgantes para todos nós”, disse Guglielmo Aglietti, diretor do Centro Espacial Surrey, em um comunicado.

O nome de batismo do satélite é bastante intuitivo, entregando logo de cara a que veio: RemoveDebris, ou RemoveDetritos, em bom português. Segundo o site inglês The Engineer, a tecnologia é criação do Centro Espacial Surrey, da Universidade de Surrey, em parceria com as empresas Airbus e ArianeGroup.

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Ainda que orbitando a Terra a centenas de quilômetros de distância, a quantidade de lixo espacial produzida pelo homem já é um problema.

De acordo com dados da Rede de Vigilância Espacial dos Estados Unidos, há pelo menos 40 mil objetos do tipo soltos no espaço, vagando junto à órbita da Terra. O peso total desse lixo espacial é estimado em 7600 toneladas – quase cinco vezes o peso de um Falcon Heavy, um dos modelos de foguete mais modernos da SpaceX.

Ter lixo muito lixo espacial em órbita é péssimo para o andamento de operações espaciais. Em 2016, uma janela da ISS chegou a trincar após ser alvo de um detrito do tipo. Caso fragmentos de lixo espacial acertem algum satélite, por exemplo, o estrago pode ser grande. Tudo culpa da velocidade com que os restos giram ao redor da Terra – mais de 48 mil km/h. Colisões do tipo tem como resultado o quê? Isso mesmo, mais detritos lançados ao espaço.

Tudo muito bem, tudo muito bonito. Mas, você deve estar se perguntando: “E a volta? Como a RemoveDebris fará para não se tornar estatística e aumentar o total de lixo espacial em órbita?”. Segundo a equipe do Centro Espacial Surrey, a ideia é usar uma “vela”, tipo a de barcos, para guiar o trambolho até a atmosfera da Terra e recolhê-lo em segurança. O planeta agradece.



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