AT&T cria 5G E — seria um novo padrão ou apenas uma jogada da empresa?



O primeiro smartphone 5G ainda nem foi lançado e as empresas de telefonia móvel já correm atrás de colocar no mercado os primeiros pacotes do novo padrão. Nos EUA, a Verizon e a AT&T são as duas operadoras que mais disputam o pioneirismo da novidade. Por conta disso, a AT&T adorou uma velha estratégia quase que enganadora: ela vai mudar o ícone de conexões de rede “4G” para “5G E” em algumas redes, mesmo que elas ainda não possam ser consideradas de fato no novo padrão.

A companhia emitiu um comunicado em seu site informando o que seria feito. “O 5G Evolution (5G E) é o nosso primeiro passo na estrada para o 5G. Nossas melhorias já estão permitindo velocidades mais rápidas em nossa rede LTE existente”, diz a nota.

O problema é que este 5G Evolution nada mais é a nomenclatura que vai aparecer em regiões nas quais ela tem configurações um pouco melhores que as atuais. Isso acontece por ela modifica alguns recursos. O primeiro é o 4X4 MIMO, no qual ela consegue ampliar o total de antenas usadas nas trocas de dados, melhorando o sinal. O segundo é o chamado 256 QAM, uma técnica que aumenta a largura de banda em cada canal. Assim, com mais canais e mais dados passando, é possível que haja um aumento na velocidade de transferência de informações, mas o que ainda não é, nem de perto, as capacidades do 5G.

A AT&T também disse que vai ter três indicações diferentes do novo padrão. Além do 5G E, que ainda é 4G LTE, a empresa também terá um 5G convencional e 5G+ para locais em que há ondas milimétricas, que permitem melhores conexões.

Pode isso?



Em tese, a empresa não poderia vender o 4G melhorado com a descrição de 5G. Contudo, não há uma definição ainda sobre o que é uma nova geração de conexão. Algumas empresas entendem que um novo “G” pode ser designado apenas quando há um real salto de uma tecnologia para outra, como acontece entre 4G e 5G reais. Testes mostram que o novo padrão pode diminuir a latência em dez vezes e aumentar a capacidade de número de conexões em dez vezes também. Em termos de velocidade, a Samsung já trabalha com testes em um pico de transferência de dados de 20 Gbps, com taxa utilizável pelo usuários de 100 Mbps.

A AT&T, contudo, pode fazer isso porque há também a definição de que o 5G é baseado no padrão 5G NR, o qual usa ondas milimétricas. Somente a utilização destas ondas, na concepção da AT&T, já configura um novo padrão, justificando o 5G E como ícone.

Segundo a empresa, tais símbolos devem aparecer já no começo do ano, no segundo trimestre.

A AT&T já tem um histórico de fazer este tipo de ação que pode ser considerada uma forma de mascarar um avanço irreal. No lançamento do 4G, tanto AT&T quanto T-Mobile e Sprint classificaram redes um pouco mais velozes como 4G, embora as configurações não permitissem isso.

No último dia 21, a AT&T anunciou oficialmente o lançamento de redes 5G em 21 cidades dos Estados Unidos. A tecnologia é acessada usando o roteador Netgear Nighthawk 5G Mobile Hotspot. Embora seja lançada já no dia 21, os usuários só podem de fato acessar este aparelho em 2019.

Vale lembrar também que até agora não há um smartphone ou tablet preparado para receber o novo padrão. Ao que tudo indica, a Samsung deve ser a primeira companhia a lançar seu device já no começo do ano.

A Motorola também já preparou um acessório para seus aparelhos, trazendo um modem 5G, mas não tem previsão de lançar o produto oficialmente no mercado.



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