Busca por celular sem acesso à internet cresce 5% em 2017, mostra estudo global

Brasil Econômico

Ao mesmo tempo, a pesquisa da Conterpoint contabilizou crescimento de 2% na venda dos smartphones; especialistas avaliam que os usuários têm comprado celulares mais simples para conter o vício nas redes sociais; veja

Mark Erskine comprou um dos 450 milhões de celulares sem acesso à internet vendidos em 2017

Mark Erskine comprou um dos 450 milhões de celulares sem acesso à internet vendidos em 2017

Foto: shutterstock

A venda de celulares sem acesso à internet tiveram um salto promissor de 5% no mundo no ano de 2017, enquanto que os smartphones registraram aumento de 2%. Os dados são da Conterpoint, empresa sediada em Hong Kong dedicada a fornecer informações sobre o mercado de tecnologia. 

Os números da pesquisa revelam uma mudança peculiar no comportamento dos usuários de dispositivos móveis no último trimestre de 2017, quando houve o aumento nas buscas de celulares sem acesso à internet. Em todo o ano passado, foram vendidos 450 milhões desse tipo de aparelho no mundo. 

De acordo informações do portal inglês The Sun, cerca de 1,5 bilhão de smartphones foram comercializados no mesmo ano, mas, surpreendentemente, no último trimestre, houve queda considerável na venda de celulares com internet. 

Em entrevista ao site Sky News, a psicóloga Daria Kuss, que estuda o uso compulsivo dos smartphones, explica que o aumento das vendas dos celulares ‘mais simples’ pode estar associado à consciência dos consumidores de que estão ‘muito presos’ ao celular, mas não conseguem conter o uso do dispositivo.

“Eles [usuários] têm medo de perder qualquer coisa que esteja acontecendo nas redes sociais, e essa é uma das razões pelas quais usam-nas compulsivamente”, afirma a especialista.

Já em relação aos riscos, Kuss compara o hábito compulsivo aos sintomas associados ao vício, como a preocupação e a perda de controle.

O britânico Mark Erskine é um exemplo disso. Em entrevista ao site Sky News, ele declarou que comprou um celular sem internet porque não conseguia parar de mexer nos aplicativos do smartphone.

“Eu odiava o fato de sempre estar mexendo naquilo. Outro dia, um amigo me disse: ‘você olha isso 150 vezes por dia. Você está sempre nas páginas do Facebook e do Instargram’. O impressionante é que, quanto mais você faz isso, mais você sente que precisa fazer isso”, relata.

Erskine ainda conta que sentiu melhora na qualidade de vida, uma vez que, agora, passa o dia sem o barulho das notificações dos aplicativos.

É possível monitorar tempo de uso dos apps em smartphones

Aumento da compra de celulares sem acesso à internet pode estar ligado à conscientização dos usuários

Aumento da compra de celulares sem acesso à internet pode estar ligado à conscientização dos usuários

Foto: Pixabay/Creative Commons

Recentemente, o Facebook e o Instagram apresentaram um novo painel para o usuário monitorar quanto tempo passa navegando pelos aplicativos e, assim, conseguir estabelecer limites diários de tempo de uso.

Ameet Renadive, chefe da equipe no Instagram dedicada ao bem-estar dos funcionários, disse que, embora a nova função possa levar a diminuição do tempo de uso do Facebook e do próprio Instagram, é importante que as pessoas sintam que o tempo nas redes sociais é bem gasto.

Além disso, com a ferramenta de monitoramento de tempo gasto no Facebook e Instagram, Renadive disse que a empresa quer “capacitar as pessoas a tomarem decisões intencionais sobre quanto tempo gastam nos aplicativos e como querem se engajar”. 

Venda dos celulares sem acesso à internet no Brasil

Ao contrário do restante do mundo, no Brasil, as vendas de celulares sem acesso à internet estão caindo

Ao contrário do restante do mundo, no Brasil, as vendas de celulares sem acesso à internet estão caindo

Foto: shutterstock

No Brasil, segundo o último levantamento da Fundação Getulio Vargas, em 2017, foram vendidos aproximadamente 50 milhões de smartphones no País, contra pouco mais de 3,2 milhões de celulares sem acesso à internet. Contrariando o cenário internacional, a pesquisa mostra que o barateamento dos dispositivos mais sofisticados tem favorecido a troca pelos smartphones e a queda na venda dos celulares mais simples.



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