Facebook desmonta rede brasileira de fake news

“O Facebook é uma plataforma de tecnologia e não uma editora ou empresa de mídia”, foi o mantra oficial da empresa durante muitos anos. Repetida por Mark Zuckerberg e pelo departamento de comunicação da empresa à exaustão, a frase era o pilar da empresa para se eximir da responsabilidade sobre o que era publicado na rede social. Ora, se ela é apenas uma ferramenta e não uma empresa de mídia, não é possível responsabilizá-la por alguns usuários publicarem notícias falsas e discursos perigosos em seus murais, certo?

Mas o argumento foi perdendo força com o passar dos anos e se tornou (junto à questão da privacidade digital) um dos temas principais do depoimento de Mark ao Congresso americano durante a já histórica polêmica do uso da plataforma pela companhia britânica Cambridge Analytica — mesma empresa que trabalhou para a campanha de Donald Trump em 2016 e conseguiu manipular a opinião pública implantando fake news na rede. Não importam os termos técnicos, o mundo está de olho no Facebook e a empresa, discretamente, passou a puxar a responsabilidade para si. Assim a guerra contra as notícias falsas ganharam força.

Veja também

  • TecnologiaPara combater fake news, WhatsApp vai limitar o envio de mensagens20 jul 2018 – 18h07
  • Mundo EstranhoO que são fake news? Como identificá-las?21 dez 2017 – 15h12

Em abril deste ano, foi anunciado uma parceria entre a empresa e o verificador de notícias Boom, para melhorar o feed de notícias da Índia (onde o problema já resultou na mortes de 22 pessoas), um mês antes das eleições do país. As páginas que foram pegas repercutindo a má prática tiveram o alcance dos seus posts diminuído drasticamente, tornando-as menos relevantes. A investida do Facebook deu tão certo que foi repercutida em outros países, inclusive no Brasil, em parceria com as agências Aos Fatos e Lupa.

Mas, nunca houve no Brasil uma operação tão complexa quanto a desta quarta-feira (25) que desmontou uma rede coordenada com 196 páginas e 87 contas. Juntas, as páginas tinham mais de meio milhão de seguidores e eram usadas para causar a impressão de que uma notícia falsa viesse de diferentes veículos de comunicação independentes.

Um funcionário do Facebook que não se identificou disse à agência de notícia Reuters que as páginas estavam sob controle de pessoas importantes do Movimento Brasil Livre. Mais tarde, em comunicado compartilhado no Twitter, o próprio MBL declarou que diversos de seus coordenadores foram afetados pela iniciativa.

O problema das fake news ainda está longe de acabar por uma razão muito específica: nós amamos. Um estudo do MIT concluiu que notícias falsas são 70% mais compartilhadas do que as verdadeiras. Elas apelam para as nossas emoções e senso de justiça. Logo, a vontade de apertar o botão de “compartilhar” surge antes de racionalizar e procurar as fontes do texto.

Além disso, é mais difícil batalhar contra essa praga em outras redes, como no WhatsApp, onde todas as mensagens são criptografadas e os programadores não possuem acesso ao que está sendo espalhado por lá. Uma nova função limita o número de vezes que você consegue encaminhar uma mensagem no aplicativo. É o melhor que conseguiram fazer até agora.

No futuro, é possível que a proliferação em massa de notícias falsas seja coisa do passado. Até lá, não custa nada pensar duas vezes antes de compartilhar uma informação.



2 respostas para “Facebook desmonta rede brasileira de fake news”

  1. José Silva disse:

    O nosso presidente Bolsonaro deveria mandar prender esse comunista dono do facebook

    Curtir

  2. patrulheiroze disse:

    acho estranho acusarem o MBL de Fake news e não fazerem nada com a Carta Capital ou a Mídia Ninja, por exemplo. já foi constatado que o Facebook faz perseguição às páginas de direita em todo o mundo.

    Curtir

Deixe uma resposta

Powered by Yahoo! Answers

%d blogueiros gostam disto: