Fundador do Linkedin pede desculpas por financiar esquema de fake news

Na última quarta-feira (26), Reid Hoffman, um dos fundadores do LinkedIn, soltou uma declaração em resposta a uma matéria do jornal The New York Times, que revelava ter descoberto um “experimento secreto” que utilizou fake news para manipular a disputa pela vaga de Senador do estado do Alabama, onde operadores de tecnologia do Partido Democrata, financiados por Hoffman, utilizaram as mesmas táticas de manipulação de redes sociais criadas pela Rússia para garantir a vitória do candidato do partido (Doug Jones) sobre o adversário do Partido Republicano (Roy Moore) nas eleições especiais que ocorreram em dezembro de 2017.

Na declaração, Hoffman afirma que é contra qualquer tipo de tática de desinformação para manipular o resultado de uma eleição, e mesmo afirmando que não sabia que esse tipo de tática estava sendo utilizada pelo partido, ele pede desculpas por ter sido tão inocente e ajudado a financiar uma empreitadas desse tipo.

Desde a eleição de Donald Trump em 2016, Hoffman tem investido milhões de dólares em grupos que atuam junto com o Partido Democrata. Um desses grupos foi a American Engagement technologies (AET) que, de acordo com o jornal Washington Post, recebeu U$ 750 mil dólares em investimentos de Hoffman — e parte desse montante foi usado pela empresa New Knowledge para criar a campanha de desinformação contra o candidato do Partido Republicano durante a disputa pela cadeira de senador do Alabama.

O esquema de fake news foi confirmado CEO da New Knowledge, Jonathan Morgan, que afirmou que a agência criou sim uma campanha baseada em fake news contra o candidato do Partido Republicano, mas garante que o esquema utilizado pela empresa tinha uma escala muito menor do que o revelado pelo New York Times.

De acordo com o Times, o projeto criado pela AET tinha como objetivo a criação de uma história falsa que vinculava o candidato Roy Moore a milhares de contas falsas criadas pela Rússia. Os bots começaram a seguir o candidato republicano em massa no Twitter, o que chamou a atenção da imprensa, e ao mesmo tempo o grupo criou uma página no Facebook que se passava por um grupo de conservadores do Alabama, com o objetivo de dividir o voto conservador no estado. Segundo a reportagem, a operação toda custou cerca de U$ 100 mil.

Ainda que Morgan afirme ter participado do esquema, ele garante que a empresa dele se envolveu com objetivos puramente de pesquisa, e garante que o trabalho feito pela empresa foi em um escopo tão pequeno que não teria nenhum efeito no resultado da eleição. Vale lembrar que a empresa de Morgan, a New Knowledge, é uma das que estão investigando o papel do Facebook na manipulação pela Rússia das eleições para presidente dos Estados Unidos de 2016, e no começo deste mês publicou dois relatórios que acusam a empresa de ter ocultado informações sobre o assunto e se esforçado para atrapalhar as investigações do caso.

Ao saber do ocorrido, o senador Doug Jones, que ganhou a eleição com ajuda do esquema de fake news, se pronunciou pedindo uma investigação federal sobre o caso, e o promotor público do estado já está investigando se esse tipo de tática de desinformação viola alguma das regras de campanha do estado.

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